Quando me lembro da altura em que comecei a trabalhar, lembro de mim como
alguém activa, que executava as tarefas com eficiência e não apenas com
eficácia. Preocupava-me executar as tarefas, não só da melhor forma, mas também
à tempo, no momento certo porque eu sempre me senti incomodada quando deixava
as coisas para as fazer na última da hora. Os anos foram passando e me descobri
insatisfeita comigo mesma: passei a sonhar muito mas deixava a maior parte dos
meus planos e tarefas diários para depois, como se uma preguiça, uma força
maior me fizesse agir assim. Me incomodava ir ao exame sem ter estudado o
suficiente porque fui adiando, me incomodava não mudar a desordem do quarto dos
meus filhos porque fui empurrando com a barriga e mesmo sabendo que não estava
bem, fazia pouco para mudar ou quase nada. E a sensação de que não sobrava
tempo para nada, só me fazia agir mais e mais assim, fosse no serviço ou em
casa ou mesmo na igreja. Parecia que era mais fácil ficar sentada no sofá da
sala a mexer o ipad ou o celular, a navegar pelas redes sociais a procura de fotos
inspiradoras, da atleta fitness que tinha o corpo de quem nenhuma roupa fica
mal e não precisa de preocupar com a gordura corporal, as casas de sonho, bem
decoradas e arrumadas, os melhores destinos para férias, as dietas e planos alimentares
que prometiam resultados surpreendentes. Mas agir, mudar, melhorar, parecia a
coisa mais difícil! E assim fui vivendo e me perguntando onde estava aquela
Telma, que se fechava no quarto por horas, para estudar Matemática, no tempo da
faculdade? Aquela Telma que nos primeiros anos do seu emprego fez tantos
relatórios, pareceres e tarefas sozinha e em tempo recorde? Aquela Telma que
emagreceu 45kg com muita força de vontade e determinação? Onde estava ela? Eu a
havia perdido e já não sabia mais como a encontrar!
A minha busca incessante pelo melhorar e obter respostas me levou à uma
frase: procrastinação, a arte de adiar, de deixar para depois, não uma vez mas
várias vezes; não uma tarefa, mas várias tarefas, não só as chatas, mas também
as necessárias e importantes. Descobri que, por preguiça mental, fui
procrastinando tarefas, planos, projectos, actividades e coisas importantes na
minha vida e fiz isso, sem me aperceber. Simplismente fui deixando para depois,
para depois e depois.
·
Uma
certificação que exigia de mim, horas de estudo e concentração, fui deixando
para depois e por causa disso, não fui preparada para o exame e por isso, fracassei,
não passei e assim, ainda não fiz algo que melhoraria minha carreira.
·
Uma
reparação em casa que mudaria a imagem da minha casa para melhor, mas porque
fui deixando para depois e priorirando usar o dinheiro que daria para fazer tal
reparação, para outros prazeres, como, uma viagem; resultado, a minha casa não
está aconchegante aos meus olhos e acredito que também, aos olhos do meu marido
e dos nossos filhos. Parece uma desordem diária, tudo porque eu deixei a
reparação e vou deixando outras organizações para depois.
·
Uma
ida à casa de banho, para satisfazer uma necessidade fisiológica, também fica
para depois muitas vezes! Será possível isso? Mas é, comigo é. E assim, ignoro
que isso pode trazer-me problemas maiores de saúde! Eita, preciso mudar.
·
A
pausa para me alimentar eu também deixo para depois e só como mesmo, quando já
estou a caminhar para a fome exagerada e a compulsão alimentar!
·
Os slides
para apresentação do relatório aos colegas de trabalho, também deixo para depois
e assim vou deixando para depois, muitas tarefas que só me ajudariam
E por causa de tudo isso, eu me culpo, me stresso, não fico feliz comigo
mesma, não me sinto realizada e a culpa é toda minha, que deixo a
procrastinação vencer. Por causa disso, eu sinto-me ocupada o tempo todo, vou
me tornando chata, comigo e com os outros, parece que 24h não são suficientes
para mim, mas são, eu apenas não consigo organizar-me o suficiente e vou
deixando as coisas para serem feitas depois, amanhã, noutra hora, noutro dia,
mais tarde. Mas depois, amanhã, mais tarde já existem outras tarefas que também
precisam ser feitas, por isso a sensação de ocupação o tempo todo! Agora, como sair dessa situação? Como vencer a
procrastinação?
Primeiro, com oração, muita oração, pois a mente sempre vai querer levar-me
a fazer o que é mais fácil, o que exige menos de mim, o que me desafia menos.
Eu é que preciso resistir a tentação de deixar para depois para isso, preciso
orar muito e agarrar-me a Deus.
Segundo, preciso organizar o meu tempo, listar as minhas tarefas diárias,
da mais importante e urgente à menos.
Terceiro, preciso gerir melhor o meu tempo de uso das tencologias, leia-se
telemóvel e ipad e também, de permanência nas redes sociais. Confesso que isso
erá difícil!
Quarto, preciso começar logo a executar as tarefas, assim que elas me
chegam, devo evitar deixar para depois pois, apartir da altura em que eu começo
a adiar, corro o risco de continuar a adiar vezes.
Quinto, devo evitar que actividades de menor importância, tomem o tempo das
actividades mais importantes. Por exemplo, não devo adiar o meu tempo de sono
por causa da vontade de estar nas redes sociais.
Sexto, devo evitar adiar tarefas importantes, que precisam ser executadas e
têm prazo de entrega, pois isso só aumenta a minha ansiedade e a ansiedade
aumenta o meu stresse, o que me deixa mal humorada, o que me causa compulsão
alimentar, o que me faz engordar.
Sétimo, devo vencer a procrastinação, esse é o ponto de ordem, esse é o meu
objectivo apartir de hoje e não se vence a procrastinação quando se cumpre a
agenda por apenas um dia, mas todos os dias.
Quem mais sofre deste mal: procrastinação? Contem, quero saber, nem que
seja para descobrir que não sou a única, rsrs.
Dia abençoado para todos.









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